Esta foi a primeira vez que a equipa Toyota se deslocou a Portugal antes da realização do nosso maior rali para testar os seus carros. Isto corresponde, de certa forma, a uma mudança de orientação no seio da equipa, que para 1981 se alargou não só no campo humano, mas também nas suas aspirações, actualmente muita mais vastas do que uma hipotética boa classificação. Agora a Toyota vai ganhar... e só falta ganhar mesmo! Foi em Monte Carlo que tomámos conhecimento da realização destes testes: momentos antes da partida para o percurso comum, em plena Praça do Casino, Hans Thorszelius dir-nos-ia:
- "Para a semana o Bjorn estará no seu país. Vai testar o carro com o engenheiro Alan Wilkinson"
- "Mas vão testar ou treinar o rali?", inquirimos.
- "Não, agora serão apenas feitos testes. Nos treinos já estarei presente, mas só os faremos na última semana de Fevereiro.", acrescentou o nosso informador de ocasião.
A partir daí não foi difícil conciliar todos os pormenores: acertados os primeiros detalhes ainda em Monte Carlo com o próprio Waldegaard, bastou uma simples troca de telex com a base do Toyota Team Europe, em Colónia, e tudo ficou combinado. À hora de almoço do dia 5 lá estávamos no aeroporto, à espero do voo da Swissair proveniente de Zurique que trazia os nosso dois "testadores". Um saltinho ao novo edifício de Salvador Caetano, ali para as bandas de Sacavem, e o encontro definitivo ficou aprazado para o dia seguinte, já em Viseu, onde Waldegaard decidiu instalar o seu "quartel-general".
Quanto a Per Eklund (que tinha vindo de Monte Carlo no mesmo avião que nós), tinha regressado à Suécia nesse mesmo dia, depois de uma primeira volta pelas novas classificativas, para iniciar os seus treinos com vista à sua participação no Rali da Suécia, ao volante de um Porsche com as cores da Publimmo.
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À boa maneira portuguesa, chegámos atrasados para o pequeno-almoço. A pensarmos dispor da manhã de sábado para recuperar ainda das fadigas de Monte Carlo e eis-nos poucos minutos volvidos das 7.30 da manhã à mesa!
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Waldegaard e Wilkinson e os mecânicos tinham estado na véspera no troço de Mões e o programa para "jornalista assistir" tinha por palco o troço de Viseu.
"É uma das mais belas classificativas do rali", assim nos dizia Waldegaard, depois de ter escolhido o local exacto onde nos instalaríamos. Para os que conhecem o troço, podemos dizer que ficámos cerca de três quilómetros depois do antigo final, ou seja, três mil metros depois do local onde Santinho Mendes nos pregou um dos maiores sustos da nossa vida de repórter, quando do seu célebre "atalho" numa Volta a Portugal.
O carro enviado para os testes (K-AE 2988) foi o utilizado por Thérier durante a última temporada e que, como os nossos leitores estarão por certo lembrados, não chegou a Viseu, já que o piloto francês desistiu na segunda etapa.
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A fase inicial dos testes foi dedicada à suspensão dianteira, sendo experimentados braços de suspensão de vários comprimentos, operações que demoraram bastante tempo, pois como se pode calcular a sua substituição é bastante morosa. Também no capítulo de carburação esteve em particular realce: enquanto na véspera tinham sido montados carburadores Solex, desta feita os preferidos foram os Weber 48, os que serão utilizados no Rali de Portugal.
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Waldegaard sentou-se no carro. Com Wilkinson a seu lado partiu em sentido contrário ao que nos encontrávamos. Alguns instantes depois chamava pela rádio: "All clear?", John respondeu afirmativamente e o motor do Celica cortava o silêncio do pinhal. De repente, "voando baixinho", surgia ao fundo da recta, numa curva extremamente rápida. Travagem forte e o Toyota imobilizava-se na "garagem" improvisada, limitada por dois suportes e o macaco. Os dois "passageiros" trocavam algumas impressões e a conclusão era inevitável: mecânicos debaixo do carro, mudar tudo de novo. Ainda que a experiência se mostrasse satisfatória, era preciso testar as várias soluções.
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Entretanto, o Celica fazia ouvir mais uma vez o roncar do motor pelo troço de Viseu e depois de experimentadas as várias modificações na suspensão da frente, foi a vez da suspensão traseira ser trabalhada, com a introdução de novos amortecedores e batentes. Mais uma pausa para os mecânicos trabalharem. A fome começava a fazer-se sentir e o João Passos, sempre impecável para cooperar, meteu-se a caminho e foi a Viseu buscar "reforços"....
(...)
Mais uma passagem e os testes estavam terminados por agora. Havia que regressar à base, para trocar de pneus, já que os ensaios prosseguiriam da parte da tarde, mas em alcatrão, no troço de Vouzela, e os racing tinham ficado no hotel. Um ligeira bebida no bar e aí estavam os nosso homens prontos para arrancar para a nova etapa desta fase de testes. Quanto a nós, não resistimos a dar um pulinho de Viseu às Camélias. A reportagem tinha terminado.
Fonte: Jornal "Autosport" de 12 de Fevereiro de 1981
Texto e Foto : Fernando Petronilho
FIAT Tal como anunciámos no nosso último número, a Fiat e a Pirelli estiveram uma vez mais entre nós a testarem pneus com vista ao próximo Rali de Portugal. Este ano a "formação" apresentava algumas alterações, com a presença de Carlo Gillardomi em vez do eng. Franco, por parte da Pirelli, e de Lucio Guizzardi no lugar de Ninni Russo, ao lado de Giorgio Pianta.
Em termos de novidades, a maior era dada por uma nova medida posterior: pela primeira vez foram utilizados pneus de 225, sendo até agora a medida mais larga utilizada a de 205. Este novo pneu, disponível na versão SG 35, destinava-se fundamentalmente a provas rápidas ou semi-rápidas, como por exemplo,a do Buçaco, existindo quatro misturas diferentes de borrachas. Tecnicamente tem como finalidade uma maior colocação de potência no solo.
Os testes incidiram especialmente sobre quatro aspectos: temperatura, desgaste, fiabilidade e comportamento. Assim, após cada passagem dupla, os pneus eram cuidadosamente verificados nos vários aspectos, sendo os tempos devidamente comparados para mais facilmente se poder chgar a uma conclusão. Refira-se que a Pirelli trouxe para estes testes cerca de 40 pneus P7, de dois tipo diferentes: SG35 e M+S.
Segundo Gillardomi e para além do novo 205, foram testadas mais duas ou três misturas novas em relação às que a Pirelli já dispunha, com o intuito de se conseguir uma maior rapidez em qualquer tipo de piso.
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Enquanto os mecânicos mudavam pneus e Lucio Guizzardi verificava tempos com Carlo Gillardomi, trocámos algumas impressões com Giorgio Pianta, como se sabe o responsável pela parte de testes da equipa Fiat. Apesar dos 50 anos não estarem longe, Pianta mantém ainda um andamento bastante rápido, única hipótese de poder levar a cabo inteiramente a sua missão. Como o suor ainda a escorrer pela face depois de cumpridos mais dois percursos, Pianta deu-nos também o seu ponto de vista sobre os ensaios:
"Estamos a testar quer uma nova medida posterior, uma medida mais larga para poder transmitir maior potência ao solo, quer misturas novas. As misturas são do tipo mórbido para provas de classificação curtas, e de tipo mais duro, para troços longos, como Arganil. No fundo, uma mistura que seja resistente ao passar dos quilómetros, mas que proporcione uma grande velocidade. Trata-se de uma mistura que provém directamente da experiência de pista que a Pirelli dispõe.
Os novos pneus traseiros de 225 de medida são feitos especialmente para o 131, pois os carros têm grande tendência a gastar os pneus posteriores devido à sua enorme tracção. Decidimos, pois, passar os pneus de trás para a frente e adoptar esta nova medida posterior."
(...)
Fonte : Jornal "Autosport" de 26 de Fevereiro de 1981.
Autor de texto e foto desconhecido.
Confirmando o que dissemos anteriormente a Fiat trouxe este ano, à semelhança do que fez em anos anteriores um autêntico arsenal material e humano a Portugal, com a finalidade de testar novos pneus da Pirelli, feitos a pensar na nossa prova.
Dois "muletto" 131 Abarth, um "furgon" da Fiat italiana, outro da Pirelli portuguesa, um carro ligeiro de série, cerca de 50 pneus e o mais diverso material de medição e montagem, relativo à boa realização dos ensaios, era o que o espectador mais desatento podia encontrar nos quilómetros finais do troço do Buçaco, na passada quarta-feira, dia 18.
E isto só no tocante a material pois a nível humano o "recheio" não era menor: Giorgio Pianta, Dario Cerrato e o seu navegador Lucio Guizzardi; Carlo Giraldoni, um dos responsáveis da Pirelli não só nos ralis como nas pistas - no Mundial de Marcas e na Fórmula 2; dois mecânicos italianos, um da Fiat portuguesa e ainda mais dois do representante luso da Pirelli.
CARRO Nº T PIANTA/GUIZZARDI (131 ABARTH)
Não se trata realmente duma nova dupla paa participar em ralis, mas, no entanto, foi esta a equipa que a bordo do carro que Munari utilizou no Bandama 1980, efectuou uma série de passagens pelos últimos quilómetros do troço do Buçaco, que tinha, anteriormente, sido encerrado ao trânsito pelos homens da Fiat, não sem uma certa relutância por parte dum "zelosíssimo" guarda florestal.
E foi precisamente com o homem que ocupava o lugar do condutor do 131 branco, que falamos nos espaços entre as constantes idas e vindas que este efectuou.
(...)
"Os testes que aqui estamos a fazer são unicamente de pneus, A Pirelli está a trabalhar no sentido de obter um tipo de pneus que consiga "espremer" mais alguns "segundinhos" por quilómetro do 131, por isso temos aqui à nossa disposição não só novas medidas como diferentes tipos de borracha, para o SG 35."
Fonte: Revista "Automundo" de 4 de Março de 1981
Autor do texto : Mário Guerreiro
Para além da Toyota e da Fiat, a Datsun também testou em Portugal, como nos dizia esta pequena noticia que aparecia no jornal "Autosport" de 19 de Fevereiro de 1981:
"Quanto à Datsun, coube a Timo Salonen o papel de piloto-ensaiador, provando os Dunlop fabricados no Japão. A acção decorreu em Arganil, (...)."
Novamente apenas três equipas testaram entre nós antes do Rali de Portugal. Para além da Toyota, Fiat e Datsun, que realizaram testes no nosso país, a Audi, a Talbot e a Ford (novamente através de David Sutton), também participaram no nosso rali, apesar de não terem efectuado nenhum teste.
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