sábado, 18 de junho de 2011

Artur Silva voou nas Veredas

Com o grande favorito, Cláudio Bettencourt, a ficar com a sua prova condicionada logo no início do primeiro troço na sequência de dois furos nas rodas do lado direito do EVO IX, emergiu um grande Artur Silva que rodou sempre a fundo, mesmo quando a vitória até podia ser gerida com alguma calma…

De facto, os irmãos Silva não sabem andar de outra maneira, senão depressa. Artur Silva e Manuel Lemos ganharam duas passagens pelo troço e nas outras duas, que perderam para Cláudio Bettencourt e Luís Silva, ficaram a escassas décimas do melhor tempo. Bettencourt, com os cerca de 15 segundos de atraso logo na especial de abertura, andou rápido para chegar a segundo mas quando viu que dificilmente ganharia a prova adoptou um ritmo algo mais calmo. Marco Veredas e Miguel Azevedo jogaram mais com a calculadora do que com o cronómetro. O terceiro lugar obtido permite-lhes ser os segundos nas contas absolutas da Taça de Ralis Além Mar do Grupo Central e os primeiros da F3 depois das Sanjoaninas, excelentes resultados, sobretudo numa época em que os esforços estão a ser repartidos entre as participações nas provas com o Saxo Cup e a construção do Mitsubishi que Veredas deverá utilizar no próximo ano.

Mas o rali haveria de ser ensombrado por acidente, no final da segunda passagem pelo troço, que felizmente não se saldou por ferimentos graves, embora dois controladores do TAC tenham sofrido pequenos traumatismos e o elemento dos radioamadores presente no local tenha sofrido um corte na face provocado por uma das placas de controle que lhe acertou depois de ter sido abalroada pelo carro de Paulo Bernardo e Jorge Pereira. Coisas que, infelizmente, acontecem nos ralis e que serviram para colocar à prova o dispositivo de segurança que a organização conjunta do TAC e da Olavo Esteves Competições coordenaram no terreno. A ambulância de serviço entrou no troço, bem como o reboque e uma viatura dos bombeiros para ajudar a remover os carros (José Gabriel Silva já na primeira passagem tinha saído no mesmo local). A prova teve um atraso de 30 minutos, tendo sido atribuído um tempo administrativo aos três concorrentes afectados (José Grilo, Herberto Alves e Libânio Melo), enquanto que para os não homologados e clássicos a PE2 foi mesmo anulada.

Numa prova em que se saúda um grande número de estreias, sinal inequívoco que este modelo de competições atrai novos praticantes para a modalidade, mesmo em tempo de crise, destaque, entre os homologados para os bons resultados de Tiago Valadão e Wilson Mendes que foram 4ºs à frente de João Paulo Simões e António Pires também eles autores de boa prova. O casal Herberto e Sónia Alves que se estrearam no Sical levaram agora o seu Yaris ao 7º lugar dos homologados e à vitória na Classe 5. Nos lugares seguintes terminaram Bruno e André Silva, João e Gustavo Silva, Teófilo Pires e Renato Garcia, Libânio Melo e Fabrício Pereira e José Grilo e Ricardo Areia.

Nos não homologados levaram a melhor Hélder pereira e Marco Espínola no bem preparado Citroen AX TRE, tendo Cláudio Cabral e Ruben Sousa reclamado para si a segunda posição à frente de Fábio Fontes e Paulo Vilas. Da luta pelo 4º lugar, que foi também a do primeiro Clio, saíram vencedores, por 2,7s, Francisco Carreiro e Gustavo Veiga que se superiorizaram a Luís e João Torres. Terminaram mais 10 conjuntos equipados com viaturas não homologadas.

Nos Clássicos, Adelino e Elisabete Sousa, que lideraram desde o início, perderam a liderança no último troço ao furar, deixando a vitória para Filipe Moura e Duarte Gil que na estrada também deram sensação de grande andamento. Os segundos acabaram por ser Carlos Borges e Ruben Gonzaga, tendo Adelino Sousa caído para o terceiro lugar. José Patrício, mais conhecido no mundo dos ralis por Nené terminou em quarto, ele que foi navegado por António Furtado. Laudalino Furtado e Carlos Brum terminaram na quinta posição o rali que antecede a visita da caravana da Taça à sua ilha.

Entre os desistentes, destaque para os nomes de César Silva, Paulo Meneses e Sérgio Cardoso, entre os homologados, de José Gabriel Silva, o vencedor da categoria no Rali Cidade da Praia da Vitória, para João Sarmento que estreava um Celica 4X4, para o rapidíssimo Jorge Sousa e para o muito competitivo Ricardo M. Moura.

O “outro” Moura, deu o espectáculo do costume no EVO IX do Team Além Mar, desta vez com o Dr. Costa Martins no banco do navegador. Moura aproveita todas estas participações para “andar depressa”. É que como o próprio nos confidenciou na cerimónia de apresentação do SATA Rallye Açores, mesmo que em asfalto estes ralis servem para ganhar algum ritmo competitivo. E depois desta passagem pelas Sanjoaninas e antes do SATA ainda haverá o Rali de Verão no Pico e o III Rali da Graciosa…

O próximo encontro fica marcado para Julho, na Graciosa para onde já estarão inscritos, segundo Olavo Esteves, cerca de 40 equipas, sendo portanto provável que a prova de verão da Taça de Ralis Além Mar do grupo Central bata os records do ano no que diz respeito à extensão da lista de inscritos.

Francisco Veloso - Fórmula Rali
Foto: Ricardo Laureano / RL Photo

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