segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Açores e ralis... que futuro?

O título destas linhas pode parecer amplamente pretensioso, mas foi o único possível, dada a simplicidade extrema que é chamar à atenção para um facto e para as suas andanças futuras.

Portanto, sem mais leituras, fica apenas uma reflexão sobre o que se passa – e se espera possa vir a passar-se… - em torno de uma modalidade que move multidões entre nós, que desperta grande atenção mediática – mais ou menos bem trabalhada e disponível… - e que agrega um sem número de organizadores e colaboradores, também num conjunto de clubes que, pelo trabalho até agora apresentado, vão granjeando bom nome para a região, onde todos sabem o automobilismo reina e os adeptos são, maioritariamente, conhecedores e entusiastas.

A dois meses e meio do final de 2011, o cenário de 2010 repetiu-se a toda a escala: Um campeão absoluto anunciado e dominador – Ricardo Moura, que daqui a dias se deverá sagrar campeão nacional absoluto e que não tem rival à altura no momento actual -; a anulação da última prova do campeonato – antes Rali da Lagoa, agora quase-Rali de Outono -, à conta do Grupo Desportivo Comercial, numa situação que já nem é novidade; um patrocinador comum (a Fábrica de Tabaco Estrela) a quatro das seis provas realizadas – em 2010 apoiara três delas… -, que é também o sponsor dos três pilotos dos EVO9 que ocuparam o pódio absoluto final; a incerteza do que se passará no ano seguinte, pois se houve opções que resultaram (em 2011, pode apontar-se o “Open” que motivou o novo campeonato regional…), a apatia instala-se e as provas arriscam-se a perder interesse; o sucesso visível das competições secundárias (taças de ralis do grupo central, canal e Santa Maria), também apoiadas pelo já referido patrocinador, com custos de participação e organização mais acessíveis e que movimentam cinco ilhas em grande acção ao longo do ano; e o contraste milionário de termos na região uma prova internacional de gabarito – o SATA Rali Açores, pontuável para o campeonato IRC -, que catalisa toda a atenção e meios oficiais – leiam-se dinheiros governamentais… -, promovendo os Açores, mas atrofiando definitivamente o desporto automóvel na sua maior ilha, que se arrisca a ficar uns meses largos (uns oito ou nove…) sem competições oficiais.

Entretanto, e nestas mesmas ilhas, faltam correr-se quatro provas de âmbito local – sabendo-se já que, na Terceira, serão cerca de 30 pilotos a animar a próxima -, mas os patrocínios e apoios para a maior parte das equipas escasseiam, e só o mais solidário amadorismo faz resistir dezenas de duplas, que fazem pela vida (e pelos pneus, e pela gasolina, pelos Hans e demais necessidades…) para praticar um desporto emocionante, mas caro, e encarecido federativamente por licenças e taxas de vulto, sem o devido retorno de condições ou benefícios.

Por outro lado – e analisando dados compilados pelo nosso colega Luís Pacheco, no site “Ralis Online”, a redução do número de inscritos e participantes é uma tendência clara no Campeonato de Ralis dos Açores onde, de 2006 até este ano, se perderam cerca de 20 concorrentes por prova, o que representa uma média entre os 40 a 45%.

Tal como em termos de buracos financeiros (conhecidos, saliente-se), parecemos ainda distantes da razia verificada no campeonato madeirense, outrora um feudo de grandes máquinas e equipas poderosas, mas nada como ter atenção aos factores negativos, para tentar contorná-los com novas soluções.

Uma delas poderia passar pela existência de um patrocinador/parceiro do próprio campeonato principal, firmando-se algum tipo de acordo que minimizasse os custos com as (caras) passagens inter-ilhas e os transportes das viaturas. Parece uma miragem, mas nunca houve entendimento para tentar essa opção.

Outra passaria pela tentativa de minimizar os elevados custos de policiamento das provas, sempre uma “fatia” de peso para as organizações e que tem motivado algumas angústias que tão bem conhecemos.

Também a informação relativa ao campeonato poderia ser centralizada – e partilhada - de outro modo, demonstrando-se também por essa via uma real vontade de união por um certame mais apelativo e eficaz na sua função de elevar a modalidade.

Por outro lado, as competições de âmbito local ganham adeptos e força a olhos vistos, num modelo que se iniciou na Terceira e que agora já se fala possa chegar a São Miguel. Há por isso um conjunto de dados a analisar e, certamente, vozes avalizadas com contributos para a questão.

E a mesma é simples de colocar: Em 2012 teremos mais do mesmo nos ralis dos Açores, ou há vontade de evoluir, mesmo face às condicionantes enormes da crise financeira? Por vezes, nem só o dinheiro manda no sentido das melhores opções…por isso, que os responsáveis caminhem também sobre elas.

Clubes reúnem-se na quarta-feira…
Com efeito, o momento actual dos ralis açorianos está em debate aberto. Assim, e reanimando um encontro que não acontece há alguns anos, os presidentes dos cinco clubes organizadores de provas na região vão reunir-se esta quarta-feira (dia 19), em São Miguel.

Francisco Coelho (Grupo Desportivo Comercial), Gerardo Rosa (Terceira Automóvel Clube), António Pincho (Clube Asas do Atlântico), Bento Leonardo (Clube Automóvel) e Ruben Macedo (Pico Automóvel Clube), serão intervenientes numa acção que poderá traçar um novo rumo da modalidade no arquipélago.

Regulamentos, campeonatos, opções e possibilidades estarão em cima da mesa. Oxalá se aproveitem em pleno o diálogo e a capacidade inovadora de cada um dos emblemas…

Miguel de Sousa Azevedo - Fórmula Rali
Foto: Ricardo Laureano

Sem comentários: